Um Mundo Desigual, Até No Sofrimento...

Vivemos num mundo repleto de desigualdade. Até mesmo no sofrimento, criamos classes de pessoas. Parece que alguns tipos de doenças ou males que as pessoas sofrem são mais "dignos" do que outros. Se sabemos que uma pessoa tem câncer, logo pensamos: pobrezinho (a), precisa de todo apoio nesta hora difícil, para enfrentar a doença. Mas se uma pessoa contraiu o vírus HIV, por exemplo, estamos mais inclinados a acusar ou a dizer algo como: "não se cuidou...". Mas será que se analisarmos bem a situação, não chegaremos à conclusão que o sofrimento destas pessoas é semelhante? Sim, pois porque o paciente de câncer tem direito de comunicar à família, receber o apoio dos amigos, mensagens de encorajamento, auxílio financeiro, etc. e o paciente com HIV tem que esconder o diagnóstico, fingir que está tudo bem, continuar trabalhando normalmente, continuar feliz e sorridente, etc.? 

É a sociedade preconceituosa e incoerente em que vivemos que nos faz pensar assim. Como se houvesse categorias de moléstias dignas e indignas. Nos tempos de Jesus a coisa não era diferente. O doente de lepra tinha que andar pelas ruas proclamando em alta voz a sua condição "leproso, leproso" tinha que gritar o indivíduo. Assim, as pessoas sadias podiam se esquivar para não correr o risco de contrair a infecção. Jesus, no entanto, enxergou através do preconceito das pessoas. Quando algum destes doentes vinha até ele e implorava por ajuda para o seu mal, ele não temia tocá-los, ao contrário, tocava poderosamente nas feridas e ordenava que a doença deixasse o corpo daquela pessoa, mas antes disso, Jesus era movido de íntima compaixão pelo sofrimento destes doentes. 

O amor e a compaixão são sempre a melhor forma de se olhar para qualquer pessoa com algum problema ou enfermidade. Se deixarmos de lado a nossa tendência de julgar e avaliar as pessoas segundo nosso crivo, e olharmos para elas com misericórdia e amor, poderemos fazer alguma diferença na vida delas e, quem sabe, aliviar seu sofrimento. Se pararmos de tentar eleger este ou aquele sofrimento como sendo digno e o outro indigno de compaixão, poderemos passar a fazer a diferença na vida das pessoas e, talvez, diminuir a desigualdade e a crueldade na qual este mundo se encontra imerso.

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