SOCIEDADE DE CLASSES
Hoje vamos discutir sobre a vida em sociedade. Sociedade é o nome que damos para um sistema de coisas no qual precisamos estar inseridos para que possamos sobreviver. Não é possível viver em isolamento total, pois dependemos da ação de outros para obtermos nosso sustento, moradia, roupas, etc. Com exceção de alguns casos extremos em que a pessoa decide se isolar de um contexto social, passando a viver em um local distante de outros seres humanos, alimentando-se daquilo que a natureza oferece e vivendo de forma modesta, podemos dizer que a vida fora de um contexto de grupo é impossível.
Na antiguidade, e até hoje em algumas civilizações, a sociedade dividia-se em 3 grupos: Os nobres, ou seja, aqueles que detinham o poder de governar; os cidadãos livres, isto é, aqueles que, embora excluídos da "nobreza", tinham liberdade para habitar, trabalhar, produzir, comercializar, etc.; e os escravos ou servos, aqueles que, desde o nascimento, ou a partir de determinado momento de suas vidas, passavam a exercer trabalhos forçados para beneficiar os nobres e os cidadãos livres.
Com o passar do tempo, entendeu-se que a escravidão era algo errado, contrário ao princípio de vida humano. Então, na maioria das sociedades, passou-se a proibir este tipo de relação, surgindo o trabalho remunerado. Passou então a existir, teoricamente, duas classes, os nobres e os cidadãos livres, que trabalham e contribuem para a manutenção do sistema social.
Mas o que ocorreu de fato com a sociedade? Deixaram de existir as classes? Na verdade, sabemos que não. Dentro da classe nobre sempre existiram níveis de prestígio e poder. Dentro da classe dos chamados livres, também sempre houve distinção, com base no poder econômico ou no prestígio social desfrutado pela pessoa ou família.
Nos dias atuais, a maioria das sociedades têm sistemas de governo não monarcas, ou seja, a república, governada por um presidente ou por um parlamento. Em relação aos cidadãos livres, nos demos a tarefa de classificá-los dentro de níveis de importância, de acordo com o poder econômico ou nível intelectual do qual desfrutam. Assim, os ricos assumiram papel de controle da sociedade, passando a contratar os demais para realizarem tarefas em suas empresas e organizações. Dentre estes que prestam serviços para os ricos, há também os que desfrutam de maior prestígio social e recebem remunerações maiores, ao passo que outros são considerados trabalhadores secundários e recebem uma quantia menor pelos seus trabalhos.
A questão é que, se A e B são livres, aos olhos da lei e da sociedade, mas se A é considerado digno de receber um valor maior por seu trabalho do que B, voltamos à questão das classes da antiguidade, onde um grupo se considerava no direito de escravizar a outro grupo de pessoas.
Nós vivemos em sociedade e legitimamos o sistema adotado por ela. Se eu realizo concurso público, por exemplo, e ao ser aprovado assumo meu cargo público, em posição privilegiada em relação a outros membros da sociedade, estou na verdade aceitando o sistema de classes. Não estou dizendo que é errado querer a estabilidade de um emprego público ou uma remuneração que nos permita viver confortavelmente, mas apenas procuro chamar a atenção para a perversidade do sistema de classes em que vivemos, pois ele nos nivela entre grupos de HUMANOS, Humanos, e humanos. Isto é, uns acabam gozando de privilégios que dos quais outros ficam excluídos.
Penso que uma sociedade mais justa seria possível se, em primeiro lugar, fossem dadas a todas as pessoas, sem distinção, a oportunidade de acesso à educação de qualidade, em todos os campos: ciências, artes, engenharia, arquitetura, etc. Depois, penso que seria necessário rever o conceito de importância das profissões com base, puramente, no preparo intelectual que elas exigem, mas que fosse atribuído grau de importância de acordo com a importância social destas funções. Assim, um lixeiro, por exemplo, seria mais valorizado do que é na sociedade atual, pois é fácil reconhecer que, sem o trabalho destas pessoas, a vida nos centros urbanos seria um caos.
Vivemos num sistema de classes, e isto é fato. Mas penso que, se queremos uma mudança, esta deve partir de nós mesmos. Quando ensinamos à criança a tratar com respeito o faxineiro da escola, a ser gentil com o porteiro e a ver com consideração o trabalho das cantineiras, estamos preparando o solo para uma sociedade mais justa, no futuro. Talvez nunca deixemos de viver num sistema de classes, onde alguns sejam melhor remunerados que outros, onde uns sejam mais valorizados e prestigiados do que outros, mas é possível diminuir o abismo que existe entre as diferentes profissões e funções remuneradas que existem na sociedade. Talvez possamos chegar a um ponto em que porteiros sejam pós-graduados, garçons sejam mestres e copeiros sejam doutores. O que quero dizer é que as profissões têm sua importância, independente da complexidade intelectual que envolvem, e que todos têm o direito a receber educação, independente da carreira que escolham seguir. Talvez seja possível um mundo onde as pessoas escolham suas profissões mais por uma questão de inclinação e afinidade do que por uma relação entre posição e salário.
Na antiguidade, e até hoje em algumas civilizações, a sociedade dividia-se em 3 grupos: Os nobres, ou seja, aqueles que detinham o poder de governar; os cidadãos livres, isto é, aqueles que, embora excluídos da "nobreza", tinham liberdade para habitar, trabalhar, produzir, comercializar, etc.; e os escravos ou servos, aqueles que, desde o nascimento, ou a partir de determinado momento de suas vidas, passavam a exercer trabalhos forçados para beneficiar os nobres e os cidadãos livres.
Com o passar do tempo, entendeu-se que a escravidão era algo errado, contrário ao princípio de vida humano. Então, na maioria das sociedades, passou-se a proibir este tipo de relação, surgindo o trabalho remunerado. Passou então a existir, teoricamente, duas classes, os nobres e os cidadãos livres, que trabalham e contribuem para a manutenção do sistema social.
Mas o que ocorreu de fato com a sociedade? Deixaram de existir as classes? Na verdade, sabemos que não. Dentro da classe nobre sempre existiram níveis de prestígio e poder. Dentro da classe dos chamados livres, também sempre houve distinção, com base no poder econômico ou no prestígio social desfrutado pela pessoa ou família.Nos dias atuais, a maioria das sociedades têm sistemas de governo não monarcas, ou seja, a república, governada por um presidente ou por um parlamento. Em relação aos cidadãos livres, nos demos a tarefa de classificá-los dentro de níveis de importância, de acordo com o poder econômico ou nível intelectual do qual desfrutam. Assim, os ricos assumiram papel de controle da sociedade, passando a contratar os demais para realizarem tarefas em suas empresas e organizações. Dentre estes que prestam serviços para os ricos, há também os que desfrutam de maior prestígio social e recebem remunerações maiores, ao passo que outros são considerados trabalhadores secundários e recebem uma quantia menor pelos seus trabalhos.
A questão é que, se A e B são livres, aos olhos da lei e da sociedade, mas se A é considerado digno de receber um valor maior por seu trabalho do que B, voltamos à questão das classes da antiguidade, onde um grupo se considerava no direito de escravizar a outro grupo de pessoas.
Nós vivemos em sociedade e legitimamos o sistema adotado por ela. Se eu realizo concurso público, por exemplo, e ao ser aprovado assumo meu cargo público, em posição privilegiada em relação a outros membros da sociedade, estou na verdade aceitando o sistema de classes. Não estou dizendo que é errado querer a estabilidade de um emprego público ou uma remuneração que nos permita viver confortavelmente, mas apenas procuro chamar a atenção para a perversidade do sistema de classes em que vivemos, pois ele nos nivela entre grupos de HUMANOS, Humanos, e humanos. Isto é, uns acabam gozando de privilégios que dos quais outros ficam excluídos.
Penso que uma sociedade mais justa seria possível se, em primeiro lugar, fossem dadas a todas as pessoas, sem distinção, a oportunidade de acesso à educação de qualidade, em todos os campos: ciências, artes, engenharia, arquitetura, etc. Depois, penso que seria necessário rever o conceito de importância das profissões com base, puramente, no preparo intelectual que elas exigem, mas que fosse atribuído grau de importância de acordo com a importância social destas funções. Assim, um lixeiro, por exemplo, seria mais valorizado do que é na sociedade atual, pois é fácil reconhecer que, sem o trabalho destas pessoas, a vida nos centros urbanos seria um caos.
Vivemos num sistema de classes, e isto é fato. Mas penso que, se queremos uma mudança, esta deve partir de nós mesmos. Quando ensinamos à criança a tratar com respeito o faxineiro da escola, a ser gentil com o porteiro e a ver com consideração o trabalho das cantineiras, estamos preparando o solo para uma sociedade mais justa, no futuro. Talvez nunca deixemos de viver num sistema de classes, onde alguns sejam melhor remunerados que outros, onde uns sejam mais valorizados e prestigiados do que outros, mas é possível diminuir o abismo que existe entre as diferentes profissões e funções remuneradas que existem na sociedade. Talvez possamos chegar a um ponto em que porteiros sejam pós-graduados, garçons sejam mestres e copeiros sejam doutores. O que quero dizer é que as profissões têm sua importância, independente da complexidade intelectual que envolvem, e que todos têm o direito a receber educação, independente da carreira que escolham seguir. Talvez seja possível um mundo onde as pessoas escolham suas profissões mais por uma questão de inclinação e afinidade do que por uma relação entre posição e salário.
Comentários
Postar um comentário